sábado, 13 de janeiro de 2018

Reposicionamento do eletrodo e consumo de maconha, ver caso a caso, pois cada parkinson é um parkinson e cada um tem uma resposta diferente.

Estava muito mal, andando, quando conseguia, com uso de andador. Bengala era perigoso, pois meus pés não avançavam. Para ir no banheiro, ia de quatro, e a duração a dose do L-dopa era muito curta, cerca de 2 horas. O ânimo nem se fala.

Feitos exames de imagem, resssonância, apropriadamente, com o marca-passo desligado, foi constatado que o direito, que controla o lado esquerdo do corpo estava alguns milímetros deslocado e não atingia adequadamente com seu campo elétrico o núcleo sub-talâmico, e com isto não inibia a ação e liberação errática da dopamina endógena, causa do parkinson.

Fui então submetido à cirurgia de reposicionamento.

Melhorei muito, mas por conselho médico deveria continuar tomando meus medicamentos, L-dopa (Prolopa), Amantadina (Mantidam) e Pramipexole (Mirapex ER). Embora provavelmente devesse reajustar as doses gradualmente para baixo.

Paralelamente a isto iniciei o consumo regular de maconha, que me aliviava bastante a rigidez e os temores ainda remanescentes com o dbs, eis que só eventualmente fumava por temerosidades ante uma novidade no meu portfólio de tratamento e por questões morais, afinal no Brasil é crime (como se roubar não fosse). Tinha medo do que poderia ocorrer.

Passei a me sentir tão bem que fui gradualmente abandonando os medicamentos e ao cabo de uma semana mais ou menos parei com todos. A partir daí passei só a fumar maconha, diariamente, um cigarrinho, pois saiba, fumar um cigarrinho isolado um dia, não vai fazer muito efeito, apenas um fugaz alívio.

A sensação de me livrar da L-dopa foi fantástica, pois me livrei dos “ons” e “offs” e efeitos colaterais desta droga, que são incomparavelmente piores do que as da maconha, sem contar o pramipexole e a amantadina.

Mas é importante salientar que o efeito da maconha não foi imediato para mim, e sim acumulativo. Noto que quando fico aproximadamente 2 dias sem fumar tenho início a festinações, meus pés não obedecem adequadamente.

Um neurologista clínico conhecido me sugeriu tomar uma dose mínima de manutenção de L-dopa. Não tomei, preferindo ser um L-dopa free.

Meu neuro-cirurgião explicou que os canabinóides interagem numa área conflituosa do cérebro onde a ciência ainda tem muitas perguntas sem resposta e que fazem bem a quem tem parkinson, que deve explorada pelo lado benéfico e deve ser mais bem estudada. Me apoiou na decisão de fumar. E é o que estou fazendo. E até agora, após 2 anos, só tem me feito bem, e muito bem, modéstia à parte.

Estou de férias no Rio de Janeiro e posso brindá-los com fotos de minhas pedaladas pela Cidade Maravilhosa em https://www.facebook.com/hugo.gutterres.3/photos_all.

E quero esclarecer não se tratar de uma apologia ao uso de drogas e sim a favor do uso de maconha medicinal. E porque não recreativo?

Enjoy.

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