terça-feira, 14 de novembro de 2017

Grávida, neurocientista fala sobre pesquisa que revoluciona tratamento de Parkinson e AVC

O objetivo é entender os efeitos sobre o controle dos movimentos e a melhoria da qualidade de vida de pacientes com essas doenças

14/11/2017 - Conheça Erika Rodrigues no 'Histórias Pra Frente'
Érika de Carvalho Rodrigues, 37 anos, vive neste momento duas vezes a expectativa pelo nascimento de um filho. Não, ela não está grávida de gêmeos. João já superou as 39 semanas na barriga da mãe e pode vir ao mundo a qualquer momento. A outra gestação que já dura cinco anos é uma pesquisa que pode mudar a maneira como é feito o tratamento de Parkinson e de sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A pesquisadora, neurocientista e professora universitária coordena um estudo sobre o uso de eletroestimulação cerebral na reabilitação motora de pacientes.

“É um momento que gera uma ansiedade muito boa. Os dois vão mudar o que eu sou e o que vou fazer daqui pra frente. O que eu vou fazer depois depende desses dois nascimentos que estão acompanhados de boas expectativas”, compara a pesquisadora.

Érika, que mora no Rio de Janeiro, contou no Conversa com Bial como está sendo viver esse momento de virada, de expectativa em sua vida. Ela participou do ‘Histórias Pra Frente’, quadro em parceria com Bradesco em que Bial conversa com pessoas que estão sempre em movimento e buscando novos desafios.

Momento de virada na vida
A neurocientista coordena a pesquisa que é uma parceria entre a Unisuam, o Instituto D’or de Pesquisa e Ensino (IDOR), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O objetivo é entender os efeitos do tratamento sobre o controle dos movimentos e a melhoria na qualidade de vida das pessoas que sofrem com Parkinson e de sequelas do AVC.

Chegou a hora de respirar fundo e dar um dos maiores passos de sua vida: começar a testar as hipóteses. Os pacientes voluntários foram separados em dois grupos. Um recebeu fisioterapia convencional associado à neuromodulação cerebral. O outro, além da fisioterapia, foi submetido à eletroestimulação cerebral “placebo”, ou seja, com uma carga muito baixa que não deve impactar no resultado.

Agora, os pacientes que participaram do estudo serão reavaliados (ver quantos tiveram melhora efetiva) e esses dados serão comparados. Como o estudo foi cego, quem aplicou a terapia não sabia se a estimulação cerebral era real ou placebo, o resultado é uma incógnita. Para saber se houve mudança na estrutura cerebral (se alguma parte do cérebro conseguiu se recuperar) serão usadas diferentes técnicas de ressonância magnética para avaliação.

Nesse momento, muitas coisas se passam na cabeça da pesquisadora: como ainda não é possível prever resultados, ela pode ver o trabalho de cinco anos sendo invalidado ou, quem sabe, fazer a diferença na medicina mundial.

Interesse por pesquisa apareceu na adolescência
Mas por que Érika quer tanto fazer a diferença? A história começa lá atrás, quando ainda era adolescente. Ela acompanhou a dificuldade de recuperação de uma prima que sofreu um acidente de trânsito. O episódio a fez optar pelo curso de Fisioterapia, no qual se interessou pela área de lesões neurológicas. “Na faculdade, pude ver mais claramente que a fisioterapia funcionava para alguns pacientes e para outros não. Isso me estimulou a tentar novas terapias, meios de potencializar os efeitos da fisioterapia, enfim, ajudar um número maior de pessoas”, explica.

A vontade de estar sempre em movimento e ajudar mais e mais pessoas é que estimula Érika. Para ter uma ideia de seu envolvimento, ela promete desacelerar – vai sair de sala de aula -, mas não abandonar a pesquisa mesmo quando estiver em licença maternidade. “Não tem como me desligar totalmente. A equipe segue trabalhando, mas eu vou participar das reuniões importantes e das tomadas de decisão. Já avisei, o João estará sempre comigo nesses compromissos”, afirma.

Para dar conta da dupla jornada de mãe e pesquisadora, Érika também mudou de apartamento há pouco mais de um mês. Optou por um local mais próximo ao IDOR, onde parte da pesquisa está sendo feita. “Como é bem próximo, vou poder ir em casa amamentar o João”, planeja.

Prestes a conhecer o filho biológico e o filho vindo das pesquisas, Érika não tem ideia como será seu futuro. Mas sabe que seguirá em movimento, independentemente do que vier pela frente. Ela quer seguir tentando fazer a diferença na vida das pessoas. Fonte: GShow.

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